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A Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Saúde (Susam), teve uma economia de R$ 1,8 milhão no último ano com a Revitalização do Fluxo de Medicamentos Quimioterápicos. Entre as medidas implementadas pelo novo fluxo estão a organização do atendimento aos pacientes em quimioterapia e gestão dos medicamentos.

O método é multidisciplinar e envolve os setores de Enfermagem, Farmácia e Oncologia Clínica (equipe médica). A medida, que começou a ser aplicada há dois anos, consiste em organizar o atendimento aos pacientes com horários específicos e baseada na organização dos medicamentos de acordo com a necessidade de diluição dos mesmos, segundo a enfermeira oncológica do Serviço de Quimioterapia da FCecon, Ellen Albuquerque.

Em um dia, são feitas a análise e separação dos medicamentos e no outro a manipulação e administração dos mesmos.

Estudo – A revitalização foi colocada em prática após um estudo do setor de Farmácia da Fundação. “Não havia agendamento correto para o serviço de quimioterapia. Os pacientes saíam do ambulatório e iam direto para a quimioterapia, onde ocasionava transtornos para equipe e para os pacientes. Alguns acabavam chegando de madrugada e saindo à noite. Foi quando pensamos em ajudar tanto os pacientes quanto as equipes”, explicou a gerente do Serviço de Farmácia da FCecon, Bianca Ladislau.

O estudo mostrou que havia medicamentos com e sem estabilidade, ou seja, um tempo para o quimioterápico ser usado ou não. O estudo também apontou a possibilidade de agendar os pacientes aproveitando o tempo e evitando o desperdício dos quimioterápicos. “Vimos que podíamos agendar um número de pacientes para o mesmo horário e compartilhar a dose do medicamento, que pode custar R$ 15 mil ou mais”, disse a gerente.

Houve, então, a divisão de horários de atendimento dos pacientes, que atualmente fazem uso da medicação no Serviço de Quimioterapia da FCecon às 7h, 10h, 13h e 15h. Os medicamentos de suporte são agendados às 9h ou 14h.

Benefícios – A revitalização padronizou a Central de Diluição de Antineoplásico da Fundação, separando, inclusive, os dias de manipulação dos quimioterápicos de custo mais alto. O medicamento Trastuzumabe, para o câncer de mama, por exemplo, é de alto custo e ministrado às quartas, quintas e sextas às 15h. Um frasco de Pertuzumabe + Trastuzumabe tem 440 mg + 420 mg e custa em torno de R$ 15 mil.

“A quantidade do medicamento que cada paciente vai usar depende do peso. Uma mulher poderia, por exemplo, ter que utilizar 510 mg. Então perdíamos um frasco para usar poucos ml. Agora, com o novo fluxo, essas quantidades do medicamento são remanejados para um grupo de paciente do mesmo diagnóstico, no mesmo horário, sem haver desperdício”, explica Bianca Ladislau.

O novo fluxo na FCecon também possibilitou a instalação da cabine biológica especializada para quimioterápicos e a implantação de uma farmácia satélite oncológica, que fica próxima aos leitos onde os pacientes recebem a medicação dentro do Serviço de Quimioterapia.

Na avaliação da enfermeira oncológica Ellen Albuquerque, o novo fluxo resultou na integração da equipe e padronização dos cuidados, além da análise das prescrições de Quimioterapia pelo enfermeiro/farmacêutico. A implementação da Sistematização de Assistência de Enfermagem, obrigatório por lei, na sala de infusão de Quimioterapia e consultas de Enfermagem, também é outro ganho.

Diminuição da fila de espera – Um dos benefícios mais comemorados é mesmo a diminuição da fila de espera dos pacientes. “Antes eles [pacientes] chegavam 4h30, 5h da manhã e não tinham nem previsão do horário em que seriam atendidos. Hoje eles já sabem os horários em que devem se apresentar”, pontuou.

Segundo Bianca Ladislau, o Serviço de Quimioterapia da FCecon recebeu, inclusive, o reconhecimento dos pacientes, nesta semana, com um elogio feito na Ouvidoria da Fundação.

FOTOS: BEATRIZ COSTA/FCECON

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